Quarta-feira, Maio 25, 2011

Julieta, A Prendada V


Bem, confesso que isso geralmente não acontece comigo, mas depois desse encontro, fui eu quem se contaminou com aquela mítica doença chamada “xonite aguda”.  Julieta voltara para a cidade de sua faculdade, e agora os papéis se invertiam, sendo eu que mandava as mensagens, e ela que não mais as respondia.
A próxima ocasião em que Julieta voltaria seria para o Natal, mas a essa a altura, sua atitude para comigo já demonstrava que o clima era outro. Na Noite de Natal haveria uma balada que eu sabia que ela lá estaria. Sabiamente, não fui atrás dela, pois senão me defrontaria com seu ex a lhe perturbar.
Na noite seguinte, por coincidência, ou melhor, por falta de opções nessa cidade, nos encontramos no bar de sempre. A presença de Julieta certamente me afetava, eu ficava bobo ao seu lado, burro e sorridente. Sem sombra de dúvidas eu estava apaixonado.
Nesta noite, Julieta me dispensou, totalmente. Conforme eu suspeitava, algo mudara nesse meio tempo em que ela esteve fora, algo que a essa altura do campeonato, seria uma bela rasteira emocional. Mas ela não estava apaixonada também?
Eu tinha todos os motivos para me enraivecer. Depois de toda aquela melação, esse sumário pé na bunda deixaria qualquer homem furioso. Sorte a de Julieta, que eu conheço os poréns do sexo feminino e eles já não me atormentam como antigamente.
Uma semana depois, voltamos a nos encontrar no mesmo bar, mal nos falamos dessa vez, pois ela já tinha deixado claro que suas intenções por mim já não eram as mesmas. Na semana seguinte, no mesmo lugar, novamente nos encontramos, dessa vez ao som de Bon Jovi. Não sei se você, caro leitor, é familiarizado com as músicas desta banda chamada Bon Jovi. Caso não seja, lhe informo que elas são de alto teor sentimental e já vi muito barbudo chorar por elas.
Pois bem, neste Bon Jovi, Julieta veio acompanhada da irmã, que estava acompanhada por um outro rapaz. Bom pra mim, logo que os dois estavam se pegando e eu teria a atenção de Julieta toda ao meu dispor. Julieta estava ressabiada, ela sabia o que eu queria, mas não estava tão disposta assim a corresponder. Começamos com uma dança, uma inocente dança que Julieta ainda hesitou em aceitar. Após três ou quatro músicas, lá estávamos nós, abraçados novamente. Assim como naquele dia no carro, mas desta vez, cantávamos as românticas letras do Bon Jovi um para o outro. Incrivelmente, Julieta sabia cantar a maioria das músicas. Incrivelmente, me abatia uma vontade de mantê-la  em meus braços cantando Bon Jovi por toda a eternidade.

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Terça-feira, Março 15, 2011

Julieta, A Prendada IV


                
            Pasmo, perplexo, em estado de choque. Essas coisas não costumam acontecer comigo. Julieta ainda estava sob observação, eu precisava saber mais sobre ela, e entender o que de fato tinha acontecido comigo. Pois bem, o óbvio seria nos encontramos novamente, mas Julieta não voltaria à cidade em 3 semanas. E nestas 3 semanas que se passaram, ela me mandava torpedos e recados  recheados com uma carga emocional afetiva da qual eu era o alvo. Mas como assim? Um beijo e já se apaixonou? Eu sou tão bom assim? Eu não sabia direito o que fazia e a respondia  com poucas palavras  e desvirtuando o assunto. Ela chegou até a eleger uma música que seria a nossa. Muito estranho, não?

                Julieta chegaria numa sexta, mas foi no sábado que nos reencontramos. Um barzinho tranqüilo, naquela chuvosa noite de verão, e foi assim que combinamos que ela viria me buscar. Meu celular toca e é ela dizendo que está na frente de casa. Entrei em seu carro correndo por conta do pé d’água e quando me vejo dentro do carro, lá está ela com aquele sorriso que nunca saía de seu rosto. E lá fomos nós.
                Julieta estacionou o carro e logo se aventurou ao ter que pular a enxurrada de salto. Chegando ao bar, escolhemos uma mesa e eu me fiz de entendedor escolhendo a cerveja. Veja bem, o ambiente do bar era pouco iluminado e no lugar que eu estava havia um forte holofote a defrontar minha retina. Percebendo que eu não parava quieto com a cabeça, Julieta me convidou a sentar ao seu lado. Conversa vai, conversa vem e mais um acidente acontece: Ao gesticular, eu esbarro com a mão em meu copo de cerveja, que cheio, cai todo o nobre líquido sobre o meu colo. Foi um belo banho, pra falar a verdade. Pedimos uma pizza, uma tradicional pedida desse bar e ficamos por lá numa amigável conversa até que os estômagos se dessem por satisfeitos.
                Julieta sugeriu que fossemos a um lugar mais privado, mas não tão privado quanto um motel. Paramos o carro num posto com loja 24hrs (programa típico de cidade do interior), pulamos para o banco de trás do carro e por lá permanecemos abraçados por mais de hora. Em outros tempos eu já iria abrindo o zíper, mas a companhia de Julieta era tão sublime, seus sorrisos, suas palavras, seus carinhos, que sexo foi parar lá embaixo na lista de prioridades. Meu Deus, até agora eu não havia encontrado nenhum defeito que aviltasse Julieta. Tudo estava perfeito, e eis que naquele momento, em que eu a tinha em meus braços com meu nariz enfiado em seus cabelos, comecei a ver Julieta com olhos que pouco uso, tudo indicava que Julieta poderia ser a namorada ideal.
                Pois é, eu também sou contaminado pela fábula da Princesa Encantada, e devo confessar que meu caso é grave. Um tio, meu padrinho, um dia me disse as sábias palavras: “Tudo em excesso é ruim, até mulher e dinheiro.” E o pior é que ele tinha razão. Depois de ter me envolvido com inúmeras mulheres, passei a procurar a qualidade de todas elas em uma só, pois se algo faltasse, algo que eu provei e gostaria de repetir, eu nunca me daria por satisfeito. E agora eu tinha Julieta comigo, bonita, simpática, inteligente e tudo mais o que se procura em outra pessoa.
A mãe de Julieta começou a ligar até que ela decidiu ir embora. Ela parou em frente de casa e me despedi com um belo beijo. Mas como eu dormi bem naquela noite, Julieta não saia de minha cabeça e foi então que o alarme do meu coração começou a soar: - Perigo! Perigo! Temos uma intrusa. Julieta era uma perfeita dama, e o cão vadio que vos fala estava a babar por ela.

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Quarta-feira, Fevereiro 16, 2011

Julieta, A Prendada III


        Marcamos na Sexta, mas acabamos por nos encontrar apenas no Domingo, no bar de sempre mesmo. Ao chegar lá, fui rodar o local para fazer meu social e cumprimentar os conhecidos e lá me deparo com Julieta, num encantador vestido preto e uma rosa vermelha a lhe prender o cabelo. Ah não, rosa vermelha não. Esta rosa que decora este blog tem um significado muito forte para mim. Troquei algumas palavras com ela e continuei na minha andança. Sim, confesso, eu estava morrendo de medo, medo desta desconhecida forma de Julieta agir. Acabei os cumprimentos, peguei uma cerveja, fumei um cigarro e tomei coragem para finalmente encarar Julieta.

                A conversa começou fria, sem muito assunto. O fato de que já estava meio combinado que ficaríamos naquela noite criou um certo constrangimento. Fui arrastando-a cada vez mais distante das caixas de som, na esperança de que fosse o alto volume que estava a nos atrapalhar. Acabamos no lugar mais calmo do bar e no mais discreto também, um cantinho escondido no fundo do fumódromo e lá, a conversa finalmente engrenou. Julieta me contou sobre toda sua vida, família, faculdade, ex-namorado, e sobre como ela se via no meio disso tudo. Eu revelava pouco a meu respeito. Ela gostava de falar,  melhor assim, pois eu poderia entendê-la melhor. Tentei um primeiro beijo; acanhada, ela declinou. Deixei a conversa rolar até eu sentir uma maior desinibição de Julieta e foi então que a beijei. Um beijo carinhoso, mas descompassado, haveria de treinar mais para chegarmos a uma boa sincronia.
                Esse beijo quase fracassado não vingou num amasso mais caliente, mas sim numa tenra troca de carícias; e foi neste exato momento que comecei a ver Julieta de uma maneira diferente. Mesmo com o beijo ruim, eu continuava ali, vidrado nela, me deleitando com todos os seus afagos. De fato, Julieta estava saciando minha carência afetiva, mas era mais que isso. Julieta estava ali a provar que sua presença era tão interessante que a "pegação" não me fazia falta.
                A carona de Julieta veio a chamar para ir embora. Ela se despediu, me beijou mais uma vez e foi embora. Quando me levanto então da cadeira, eis a minha surpresa. Pela primeira vez na vida, única e inédita vez, uma mulher me deixou com a perna bamba. Assim que pus meu pé a me firmar no chão, minhas pernas tremiam, e como tremiam. Tremiam a tal ponto que dificultava o meu andar. Quando percebo, minhas mãos também estavam a vibrar. Que mulher é essa, que fez o resoluto e obstinado Don Juan balançar feito gelatina?

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Terça-feira, Fevereiro 01, 2011

Julieta, A Prendada II



                 Até que um belo dia, mais de 6 meses depois do incidente do açaí, lá encontro Julieta  novamente. Ela me cumprimenta com um belo e tenro sorriso, como se todos os meus desastres (que são raros!) tivessem sido perdoados. Começamos a conversar, a nos reapresentar na verdade, cada um contando um pouco de si. Quando ela mencionou que estava a se formar em psicologia pela USP, meu interesse por ela, que já era razoável, tomou grandes proporções. Par de peitos nenhum consegue ser mais atraente do que essa palavrinha de três letras: USP, com um agravante de Psicologia, área pela qual eu muito me interesso.

                Minha conversa foi interrompida por uma conhecida pedindo que eu usasse de minha influência para colocar uma grande amiga minha para dentro do bar, que a esta altura já está lotado e ninguém mais entrava. E lá fui eu, na esperança de mais tarde dar continuidade aos assuntos com Julieta.
                Ao fim da noite, quando finalmente encontrei-a disponível para outra aproximação, tentei então, precocemente, a beijar. Ela dava todos os indícios de interesse por mim, mas estava certo que faltava algum flerte para que o beijo se concretizasse. Bem, eu só a via de vez em nunca, tive que tentar naquela mesma ocasião, pois poderia não ter outra tão cedo. Foi então que Julieta, com aquele belo sorriso, contou todos os seus últimos acontecimentos amorosos; que há pouco tempo havia terminado um namoro de 4 anos e que naquele momento não aconteceria nada entre nós. Foi um fora, mas foi um fora com tamanha sinceridade e gentileza que em nada me aborreceu, muito pelo contrário. Diante de tão honesto testemunho, minha lascívia foi dizimada. A nobreza de Julieta imediatamente despertou  em mim um grande respeito por ela, algo incomum nessas noitadas.
                Alguns dias depois desse ocorrido, fiz mais uma tentativa, sem muitas esperanças, de lhe chamar a atenção no Orkut. Deixei um recadinho bobo, algo só pra puxar papo: “ Você é uma ótima psicóloga”. Foi então que algo inesperado aconteceu. Algo tão ilógico e inusitado que me deixou de cabelos em pé e aquela pulga começou a coçar atrás da orelha: Julieta me responde, e não somente responde, como revela que vinha pensando em mim e sugere um encontro. Mas como assim? Eu mal pude acreditar. Como um fora simpático se transforma em um encontro com uma interessantíssima mulher em apenas uma única frase? Não só a mudança da situação, como a sua iniciativa em me convidar, algo raro entre as mulheres, causaram grande estranheza em mim. Será que eu disse algum “Abra-Cadabra” do amor?

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Terça-feira, Janeiro 25, 2011

Julieta, A Prendada I


                Aleluia! Agora eu tenho uma boa história para vocês. Desculpem pela demora, mas eu não tenho plenos poderes sobre minha vida amorosa.

                Tudo começou com um suco de açaí. Pelo menos é o que as cervejas que eu tinha tomado me permitem lembrar. Simples assim: estava eu no bar de sempre quando a garçonete passa perguntando quem havia pedido o suco de açaí, logo ela não encontra o cliente, e como era minha amiga, ganho um suco de açaí.
                E lá estava eu, desfilando com meu suco de açaí, justamente pela raridade da coisa num lugar onde só se toma vodka ou cerveja. Eu gosto de açaí, mas o suco chega a ser enjoativo. A noite já estava no princípio do fim, e passando ao lado da fila do caixa, paro pra paquerar uma garota que vez em quando eu tentava alguma coisa. Como sempre, ela me ignorou, mas sua amiga respondeu às minhas palhaçadas. A amiga era ainda mais bonita que a minha paquera, e incrivelmente resolveu dar papo para um bêbado, como era eu naquele momento. Seu nome era Julieta.
                E justamente num descuido de bêbado,  deixei o copo tombar e um gole do suco foi parar nas calças jeans de Julieta. Ela me olhou com um furor de amedrontar:
                - MINHAS CALÇAS!! VOCÊ SABIA QUE AÇAÍ MANCHA PARA SEMPRE???
                Tentando driblar a situação, a melhor saída que encontrei foi me oferecer a comprar novas calças para a menina, crente de que ela não aceitaria e eu também não me difamaria. Peguei o seu Orkut, na promessa de lhe dar novas calças.
                Algum tempo se passou, não sei precisar exatamente, mas novamente encontro Julieta no bar de sempre. Como ela não respondeu nenhuma mensagem no Orkut, o único assunto que eu tinha com ela seria relembrar o açaí. E ela estava eu com meu xaveco furado de novo para cima de Julieta, quando num gesto brusco, esbarro meu cotovelo na garrafa de sua cerveja, que se desfaz em pedaços pelo chão.
                Novamente ela me olha com aquela cara de “eu vou matar esse moleque”, me prontifiquei então a pagar a cerveja, o que foi concretizado.
                Depois disso, creio ter visto ela mais uma ou duas vezes, mas as circunstâncias não permitiram nenhuma inteiração.
                Até que um belo dia, mais de 6 meses depois do incidente do açaí... 

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Segunda-feira, Outubro 25, 2010

Magali, A Romântica III

Desculpem pela demora pessoal. Aqui está o final!



Pouco tempo depois, Terere me ligou dizendo que deveríamos ir à festa em breve. Magali tentou me persuadir a ficar, eu até que gostaria, apesar de um certo medo de me envolver tão rápido assim, mas furar com Terere causaria danos irreparáveis. Pois bem, na festa só tocou pagode e sertanejo, o que conseguiu me deixar profundamente irritado, mesmo com lindas garotas ao meu redor. No dia seguinte, voltei para minha pacata cidade.
O lance com Magali se estendeu na Internet mesmo, com direito até a intermináveis conversas no Skype, os amores impossíveis nunca foram tão fáceis como atualmente. Ah se Romeu e Julieta tivessem MSN. Na primeira semana, ainda sentindo o torpor daquele romance, na segunda as coisas já começaram a esfriar. Ficava aquele clima no ar, de quando enfim nos veríamos e esse dia não chegava. A vontade estava se esvaecendo. Eu até tentei dar uma fugida para lá, mas sem a estadia de Terere complicaria muito a situação. Magali até se predispôs a me abrigar num gesto de boa vontade, mas seria muita intimidade para uma paixão recém-feita.
A partir da 3ª semana, já mal nos falávamos, como se tivesse caído a ficha que não seria legal esse relacionamento a distância. Pois bem, depois de umas 5 ou 6 semanas de nosso encontro, eu finalmente voltei a tal cidade. Chegando lá, a primeira coisa que fiz foi ligar para Magali avisando, demorou um dia até que ela atendesse o telefone, e quando atendeu, deu uma desculpa tão fajuta para não me ver que ficou claro seu desinteresse. Liguei novamente no dia seguinte para me certificar, e novamente uma desculpinha besta. Bem, agora não restavam mais dúvidas. Passei 3 dias na cidade e nada de Magali. Quando voltei, ela veio se explicar e se desculpar, dizendo que estava com outra pessoa.Depois de tanto tempo, eu não tinha direito nem de ficar bravo, e as coisas continuaram como sempre, com uma ou outra palavra no MSN.
Um belo dia, aconteceria um concurso de MPB do qual eu queria participar. Eu escrevi a letra da música, um samba e pedi a opinião de Magali, já que ela era fã do estilo. Eu realmente achei que ela gostaria da situação, mas as cenas seguintes foram semelhantes à de se matar uma vaca na Índia:
- Como assim? Você escreveu um samba? Mas você odeia samba!
 - Por isso que estou te mostrando, quero saber se ficou bom...
- Mas você não pode escrever um samba. Você não conhece o espírito do samba.
Bom, foi uma discussão de mais de uma hora nesse tom. Magali me crucificando e eu tentando fazer ela entender que não havia mal nenhum em um rockeiro escrever um samba. Chegou uma hora que eu desisti, não haveria argumento neste mundo que a faria entender que meu samba era inofensivo. Achei que era coisa de mulher, sei lá, TPM, qualquer coisa que deixa uma mulher descontrolada, pois Magali nunca agirá dessa forma. No dia seguinte, fui falar com ela sobre a briga e em vez de acalmar os ânimos, o que consegui foi criar uma nova discussão, sobre o mesmo tema.
Bem, depois disso, Magali não me servia mais nem como uma amizade colorida, sua reação histérica por uma besteira mostrou que ela não era tão doce como parecia. Da mesma forma que ela romantizou aqueles dias com ela, ela também idealizava suas músicas preferidas.
A culpa é dela!
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Segunda-feira, Setembro 06, 2010

Magali, A Romântica II



....pois Magali estava bem mais simpática no momento. Eu vendo a inteiração ir pro brejo pela falta de assunto, resolvi mudar o rumo das coisas e parti pro tudo ou nada.
                - Vou pegar uma cerveja!
                As garotas resolveram ir ao banheiro e fui com Terere buscar a cerveja. Perguntei a ele para sanar minha dúvida e ele confirmou o que eu suspeitava, era Magali que estava mais propícia. Pegamos as cervejas e ficamos esperando as duas sair do banheiro. Avistando uma bancada vazia, indiquei a Magali que nos sentássemos nela, dividindo assim, o grupo, eu com Magali e Terere com Lenora.
A conversa continuava morna, resolvi então beijá-la logo, antes que a garota fosse atrás de algo mais interessante pra fazer. Magali hesitou por um momento, como que não estivesse esperando, mas logo se rendeu aos meus beijos. E QUE BEIJO FOI AQUELE ?!? Um beijo digno de cinema, quente, devagar e intenso, que se estendeu por vários minutos. A impressão que tive, era que Magali queria gentilmente me sugar para dentro de si. Um beijo que não tinha nada de sensual, mas totalmente carregado de carinho, algo que não se vê todo dia.
Em uma situação comum, minha reação seria me afastar um pouco da garota, pois não me sinto confortável em aumentar a intimidade com uma garota que acabei de conhecer, ainda mais em público. Mas aquele beijo..., aquele beijo mexeu comigo de tal forma que quebrou todas as minhas defesas e não desgrudei mais de Magali durante toda a noite, com direito ao Kit Namorado: beijos, abraços e mãos dadas. Enquanto isso, Terere tentava conquistar Lenora, mas não obteve sucesso.
Já era mais de 3 da manhã, e Magali acordaria cedo para trabalhar, mas mesmo assim ela não queria ir embora de jeito nenhum, queria ficar ali, aos meus chamegos. Preocupado em não prejudicar a garota, insisti para irmos, prometendo que no dia seguinte nos veríamos de novo. Magali nos levou em seu carro até o apartamento de Terere.
No dia seguinte, fomos até a faculdade, onde estavam ocorrendo as comemorações  do trote, Terere disse que a festa da noite seria boa, e compramos o convite. Quando voltamos para o apartamento, dei conta que me venderam um convite feminino. Depois disso, foi a maior complicação para trocar o convite, que não era barato. Ligamos para um monte de gente e tivemos que voltar à universidade para enfim trocá-lo. Nisso, combinei com Magali que sairíamos para jantar.
Voltando ao apartamento, tomei meu banho e logo depois Magali estava ali na frente do prédio. Magali queria que eu escolhesse aonde comeríamos, mas insisti que ela me surpreendesse, pois ali eu nada conhecia. Fomos a uma lanchonete mais requintada, aonde serviam um crepe no prato. Um bom crepe por sinal.
Durante o jantar, o problema da falta de assunto reapareceu. Agora ali sob várias luzes, sentados frente a frente,  Magali se intimidou. Desesperado, eu tentava quebrar sua timidez com minhas brincadeiras, mas o que conseguia era só um belo sorriso com direito a um inexplicável brilho em seus olhos. Bom, se o papo não fluía, o negócio era ficar apenas abraçado com ela. Magali me informou que haveria uma banda de rock na faculdade, e para lá que fomos.
O Rock era do bom, Led Zeppelin e The Doors. Fiquei ali, apreciando a banda com Magali em meus braços. Longe das minhas paqueras e de outros olhos invejosos, pude apreciar de verdade o momento. Eu abraçava Magali com o mesmo carinho que ela me olhava, e esse efêmero momento de romance despertou algo dentro de mim:  Com quantas garotas eu me envolvi nos últimos tempos e nunca tive nada daquilo? Foi naquele abraço, enquanto pressionava meu corpo sobre suas fartas nádegas, mas sem malícia, que cheguei à conclusão de que eu precisava mesmo era de uma namorada. Não de dezenas de garotas, mas de apenas uma, uma que me satisfizesse como naquele momento.

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Terça-feira, Agosto 31, 2010

Magali, A Romântica I


                Enjoado dos meus repetitivos finais de semana, lá fui explorar outra cidade. A convite de Terere, fiquei alguns dias com em seu apartamento na cidade onde ele estuda, era a semana de trote, e haveriam várias festas a ir.
                Chegando na cidade, deixamos as malas no apartamento e fomos direto para a chopada da sala de Terere: Engenharia da Computação. Chegamos em uma casa, subimos uma escada e nos deparamos com um monte de machos e uma pequena rodinha de garotas separadas deles, ao melhor estilo clube do bolinha. Fiquei sabendo que as garotas eram de outro curso, pouco popular, e por isso a pequena porcentagem de fêmeas na festa.
                Eu não poderia descrever melhor a festa do que os atores do seriado Big Bang Teory ou do filme Os Nerds Também Amam. Era ridículo, as meninas em um canto, ignoradas, enquanto eles só se preocupavam em sacanear os calouros. Nessa brincadeira eu me preocupei, pois era um estranho na festa e corria um sério risco de algum Nerd bêbado querer raspar meu cabelo. Fiquei então num canto, ao lado de Terere, tomando minha cerveja e observando a dinâmica da festa. Fiquei apático por mais de hora. Mas que furada! Com tantas cervejadas, fui parar justo na que tinha menos mulher. Terere como sempre, só se preocupava em beber o máximo que pudesse, mas eu não havia viajado duas horas só pra encher a cara.
                Eis que vejo uma loirinha sentada sozinha com um copo na mão. Das 10 meninas que estavam na festa, com certeza ela era a mais bonita, mesmo por que as outras não eram grandes coisas. Sentei-me ao seu lado e dei inicio a conversa. Seu nome era Cibele, uma menininha de 18 anos que acabara de entrar na faculdade e logo depois que o papo já estava engrenado ela começou a se queixar da infantilidade dos donos da festa. Um deles, que estava de olho na garota, veio nos importunar:
                - Quem é você, cara? Nunca te vi!
                - Sou do mestrado, meu amigo é da Engenharia.
                - Ah tá! Legal! Você conhece ela?
                - Não, conheci agora. Estamos conversando.
                - Ah tá! Beleza!
                20 minutos depois volta o moleque:
                - Viu, eu sei que vocês dois se deram bem, mas ela é minha bixete. Você pode ficar com ela outro dia. Hoje ela veio pra curtir com a gente.
                - Fica tranqüilo, só estamos conversando.
                - Ah tá! Beleza!
                Eu comecei a rir com a garota, e foi justamente então que a beijei. Logo depois disso, a cerveja acabou, e deveríamos ir então para outra festa. Andamos por cerca de 20 minutos até chegar em outra república. Terere e a galera que estava conosco foram para a festa, mas fiquei com Cibele na frente da casa. Eu já estava acompanhado, não havia por que pagar para beber mais. Apenas conversa e beijos, sem nenhum movimento mais sensual. Uma hora depois, a festa acaba. A galera então resolve ir ao Habibs matar a larica, foi quando me despedi de Cibele e cada um foi para sua casa.
                No dia seguinte, à tarde, fomos a outra festa. Pegamos a van para uma chácara. Só sei que a festa estava muito chata, Terere não conhecia ninguém lá e o povo fazia uma panelinha que não aceitava estranhos. Ficamos um pouco lá e na primeira oportunidade fomos embora. Jantei e tirei um cochilo. A noite haveria bandas dentro da universidade e lá seria a melhor opção do dia. E fomos para lá, de ônibus desta vez.
                Bizarro, porém interessante. A banda tocaria em algo que seria uma lanchonete, num lugar que precisava urgentemente de uma reforma. A galera, bem alternativa, fumava maconha ali mesmo, sem o menor pudor.
                A banda começou a tocar, e a tocar algo que eu nunca tinha ouvido nada parecido na vida, não digo que era música, pois música segue uma lógica, coisa que aquele barulho não tinha nenhuma. Fiquei rondando o lugar, ali estava mais a vontade, pois o clima era mais pacífico.
                Parei para assistir a banda, tentando entender o que era aquilo que eles estavam tocando e então reparo uma garota a me fitar. Bonitinha, mas numas roupas estranhas. Fiquei imóvel, tendo que aturar berros diabólicos da cantora, apenas observando se a garota ainda me olhava. 5 minutos depois, tive certeza e fui lá falar com ela:
                - Que banda é essa?
                Ela não ouviu, ou fingiu que não ouviu.
                - QUE BANDA É ESSA?
                A garota me olhou com uma cara estranha, nada receptível:
                - Não sei o nome, só sei que é finlandesa. E voltou a assistir a banda.
                Fiquei mais ou menos perto, esperando alguma reação dela à meu favor, mas nada.  Voltei a andar então, a procura de uma outra oportunidade. Meia-hora depois de umas cervejas e algumas palavras com Terere, a banda encerra sua sessão de tortura e então me deparo com a garota mal encarada junto de uma amiga vindo falar comigo:
                - E aí? Gostou da banda?
                - Muito.......... moderninha pro meu gosto.
                Começamos a conversar. A mal encarada se chamava Magali, tinha olhos verdes, um rosto delicado com um belo sorriso sobre um corpo largo, no estilo das matronas italianas, e sua amiga Lenora, baixinha, magrinha e pálida, mas tinha uma certa beleza. Estranho, pois é difícil uma mulher abordar um cara, ainda mais depois de ter ignorado ele. Logo pensei que seria Lenora que estivesse interessada em mim.
                Após as apresentações, a conversa foi tomando um caminho de incrível monotonia. Terere tentava, mas não ajudava em nada. Agora eu estava em dúvida em qual garota eu deveria investir minhas atenções e acabava por me resguardar em minha incerteza, pois Magali estava bem mais simpática no momento. 


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Quarta-feira, Agosto 11, 2010

Tieza, A Encantadora III







Pelo caminho, fui conversando naturalmente com Tieza, sem dar nenhum motivo para alarmar a garota. Assim que eu parasse o carro, dentro da privacidade de "quatro portas", seria a hora perfeita para outra tentativa. Catzu havia colocado bons bancos de couro no Passatão, justamente para melhor desfrutar desses momentos.
 Parei o carro em frente a sua casa. Enquanto eu puxava o freio de mão para depois desligar o motor, nos centésimos de segundos desse intervalo, Tieza abre a porta do carro, se despede e evapora para dentro de sua casa. Mas foi tão rápido que eu mal tive tempo de assimilar que ela tinha saído do carro, não houve tempo de nenhuma reação que a fizesse permanecer comigo por mais alguns minutos. Mas que infortúnio, apaixonei-me pelo Mestre dos Magos em sua versão Gisele Bündchen, ou melhor, Jodie Foster.
 Tomei meu rumo então. Logo depois de a deixar, enquanto minha ficha caia, luzes e uma sirene soa atrás de mim. Sim, era a polícia: Mão na cabeça e encosta no carro! A minha grande sorte é que Catzu, mesmo bêbado, se lembrou de me dar o documento do carro, senão minha sina teria sido muito pior que algumas indesejadas apalpadas. 
Tudo certo, a polícia foi embora.  Nada de bafômetro, nada de guincho. Dos males o menor. Entrei no carro e tive mais uma surpresa: a lata-velha não queria pegar nem a pau. Quando percebi, havia esquecido o farol aceso durante a batida. Injetei gasolina e nada. Mas novamente a sorte me sorriu, um sorriso cínico e amarelo, mas sorriu. Eu estava em uma leve descida, e bóra empurrar o carro. Confesso que empurrar o carro e correr pra dentro dele para dar a partida é algo bem inusitado e emocionante de uma maneira pouco agradável.
Primeira tentativa: Nada. 
Segunda tentativa: NADA. 
A descida já estava para acabar, essa seria a terceira e última, mas dessa vez a caranga pegou . Senti-me como naqueles filmes, que o motor do avião pára em pleno vôo e quando o fim está próximo ele volta a funcionar. Finalmente pude voltar pra festa. Ufa!
Chegando de volta, vejo a polícia parada bem na frente da casa, mas ela já estava de saída. Quando novamente adentro o local, sou informado que os vizinhos estavam reclamando do barulho e que todos deviam ir embora. E assim se fez. 
De volta para o MSN, vergonhosamente bancando o arroz, sazon, amigo cabeleireiro , chamem como quiser. Havia sido divulgado que haveria um Aerosmith na semana seguinte, e já com antecedência convidei Tieza. Seria uma outra boa oportunidade para as minhas intenções: todas aquelas baladinhas e provavelmente ela iria sozinha, pois suas amigas não curtiam Rock, assim como Tieza também não.
No dia do Aerosmith, lá vem Tieza com a enrolação:
                - Don, então, vou ter que ver umas amigas que não vejo há tempos hoje, vamos lá no bar amanhã pode ser?
- Não, não pode! Mas ela não acatou às minhas insistências e o plano de cantar Angel em seu ouvido foi pro beleléu. 
Comecei a duvidar se na verdade, eu que era o masoquista da história, e não ela, a sádica. Conversando com alguns amigos, me mostraram alguns fatos que me fizeram refletir melhor e assim descobri o verdadeiro motivo da minha paixão por Tieza. Não eram suas provocações que me abalavam, nem a fantasia do menage, muito menos sua beleza, pois garotas lindas como ela existem aos montes por aí. O que me obcecava em Tieza era justamente o fato de não poder tê-la. Uma garota que em circunstâncias normais seria difícil de se ganhar, lésbica então, eleve essa dificuldade ao cubo. Conquistar Tieza seria a minha superação, ou melhor, seria a consagração do meu poder de sedução, onde nem lésbicas angelicais resistiriam a mim. Nada mais era que um desafio, uma cruzada em busca da minha realização pessoal, que caso vencesse, eu poderia me vangloriar de ter feito o impossível. E essa glória nunca esteve tão perto, já que Tieza estava a jogar comigo e no mínimo me dava esperanças, fato inédito para mim com uma garota desse naipe.
Acabei então indo no reggae do dia seguinte, acompanhado de Terere. Quando adentro o bar, logo dou de cara com Tieza. Ela vem e me dá dois beijos no rosto, quase batendo na trave dos meus lábios (aqui em SP a regra é só um). Por um momento, tive a sensação de que ela me beijaria uma terceira vez, desta vez na boca, para completar a seqüência, mas foi apenas fruto da minha imaginação.
Fiquei lá como um bobo fazendo minhas graças para chamar sua atenção, mas estava difícil competir com mais 5 amigas lésbicas. Me encostei no bar próximo a ela, onde poderia a ver e ser visto, porém sem desgastar minha imagem. Ora ou outra, ela vinha e fazia seu charme. Até Terere quis entrar na brincadeira e estava lá dando em cima de uma das amigas.
Numa hora que ela se sentou e estava mais distraída, aproveitei a deixa e fui lá com o meu blá blá blá:
- Deixa eu me esconder com você. A minha ex está aí. ( De fato, estava, mas era uma mera desculpa)
- Ah é? Quem é? Perguntou Tieza.
- Uma loira de olhos azuis, está lá na frente.
- Que coisa. A minha ex também veio hoje.
- Ah é? Quem é? Agora foi a minha vez de perguntar.
- Aquela menina de preto ali.
- Mas essa menina não estava junto de vocês agora há pouco?
- Sim, então, a gente está meio que voltando.
Ouvir isso foi como tomar um tapa na cara. Mas ainda não estava que certo de que Tieza falava a verdade, poderia ser mais um blefe, e continuei meu blá blá blá agora fazendo um drama “ Você me trocou por ela? Como teve coragem?” 
Na verdade, eu não queria acreditar, eu não conseguia acreditar, aquilo não entrava na minha cabeça de forma alguma. Algum tempo depois vejo as duas de mãos dadas, meio que abraçadas. A presença de sua namorada não impedia Tieza de me provocar, toda vez que passava por mim ela fazia uma carícia ( com certeza ela notou minha aflição naquela cadeira) ou mandava um beijo ou algo parecido. Terere veio me questionar:
- O que foi, cara? O que você tem? Parece que está nervoso.
- Adivinha o porquê?
- Tieza?
- Ela mesma. Lésbica do inferno!
- Mas o que aconteceu?
- A namorada dela está aí. Agora a vaca foi pro brejo.
Terere aproveitou para rir da minha cara e continou:
- Eu gostei daquela magrinha de preto. Sabe quem ela é?
- Quem ela é? Ela é... Ela é... ELA É A NAMORADA DA TIEZA! PQP!
- Aonde esse mundo vai parar? Exclamou Terere, assustado. – Daqui alguns anos não vai mais ter mulher hetero nesse mundo.
Tentei ir atrás de outra menina para não perder a noite, mas eu estava nervoso demais para ser simpático e conversar com alguém. Logo depois, vejo Tieza e sua namorada pagando a conta:
- Mas vocês já vão embora?
- Vamos sim, dá um beijo aqui. Tchau.
De longe, fiquei apenas assistindo as duas atravessarem o bar, cruzar a portaria e sumir para a rua. Juro que quase escorreu uma lágrima ao ver aquela triste cena, de duas garotas lindas irem embora se divertir sozinhas.
A culpa é dela!

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Domingo, Agosto 01, 2010

Tieza, A Encantadora II






Acabei a noite na vontade, já sem esperança para com Tieza, não naqueles termos que ela me contou, mas aqueles termos não estavam comprovados ainda. Adicionei-a no Orkut e Msn para tentar outra forma de aproximação, na pior das hipóteses eu teria outra amiga lésbica para me recomendar às demais.
As semanas foram passando, e Tieza esporadicamente aparecia no bar-de-sempre, e sempre que ela aparecia, lá ficava eu como um zumbi a segui-la. Eu, Don Juan, um experiente conquistador,babando mais que cachorro olhando os frangos da padaria rodar. Tieza me dava uma atenção básica, um pouco mais que educação e simpatia. Mas quando a conversa começava a engrenar, ela simplesmente evaporava. Ou ia ao banheiro, ou alguém lhe chamava ou qualquer outra coisa que me impedia de cativá-la com minhas charmosas palavras.
Aos poucos fui percebendo como era grande sua volatilidade. As meninas com que andava mal a conheciam, ninguém sabia responder nada sobre sua intimidade, era uma amiga recém-feita. Ela estava cursando a faculdade em outra cidade e nunca antes freqüentou aquele círculo social. E então ficava assim, ela cheia de uma efêmera intimidade comigo, se fazendo de minha amiga, e eu me fazendo de seu amigo, com segundas e terceiras intenções por trás de toda a cordialidade com a qual a tratava.
E num belo sábado, eu a encontro de novo, depois de uns 3 meses dessa amizade. E lá estava ela, linda como sempre e mais dengosa que nunca. Me acariciava, fazia caras e bocas e ainda por cima falava meu “apelido carinhoso” com uma voz tão doce, bem no meu ouvido. Era de me fazer estremecer. Eu estava numa carência afetiva anormal, e ela ainda zombava dos meus hormônios.
Foi então que Tieza puxou-me para dançar, e eu logo colei meu corpo ao seu em um abraço. Uma simples dança romântica já foi suficiente para encher as minhas calças. Notei que ela percebeu aquela duvidosa diferença e logo a soltei, antes que ela confirmasse sua suspeita. Tirei o celular do bolso, como se fosse aquilo que estava a lhe cutucar, digamos que era um Moto-Rola.
Meus hormônios falaram mais alto e eu não resisti. Sutilmente, fui percorrendo sua face com meus lábios em direção à sua boca. Toda “inocente”, ela permitiu, até que perceber que desta vez eu não estava para brincadeira e se esquivou me lembrando de nossa “amizade”. Pois é, eu acabava de pedir TRUCO na primeira mão. Eu previa que aconteceria exatamente isso, mas as cervejas que havia tomado me deram coragem para criar este pequeno desconforto. Mas aparentemente ela não se ofendeu com minha ofensiva. Passei o final da noite a evitando, pois sabia que a cena poderia se repetir.
No domingo, eu juro que meus planos era sair em outra cidade, mas acabei no bar-de-sempre, desta vez no forró. E de novo, lá estava a minha tortura. Neste dia, Tieza mostrou-se um pouco mais fria e distante. Já era de se esperar que sua atitude mudasse depois do ocorrido do dia anterior. Fiquei de boa, e algumas amigas me convidaram para ir numa festinha que aconteceria na quarta-feira. Preciso falar? Adivinha quem estava lá de novo? Fui acompanhado de Terere e um velho amigo que havia a pouco terminado seu namoro e estava andando comigo ultimamente, seu nome é Catzu.
Havia poucos conhecidos na festa,na qual todos se divertiam dançando forró na sala da casa. De vez em quando eu puxava papo com algum desconhecido para me enturmar, mas na maior parte do tempo, ficava ali num canto fumando meu cigarro, observando a dinâmica da festa, ou melhor, observando Tieza.
Ela puxou-me para dançar, dizendo-me que ensinaria forró. E novamente a mágica das calças aconteceu:
- Não, desiste que eu nunca vou conseguir dançar isso. Essa foi minha desculpa. Desta vez, sóbrio, foi fácil evitar qualquer constrangimento. Voltei ali para o meu canto.
Cerca de uma hora depois, o álcool já fazia efeito e o clima da festa havia mudado. As luzes foram apagadas e as músicas agora eram menos inocentes. As meninas, que eram maioria, dançavam freneticamente se esfregando umas nas outras. De repente, alguém apareceu com uma cadeira e a colocou no centro da sala. Eis que arrastaram um moleque pra sentar na cadeira e a mulherada toda começou a se esfregar e rebolar na frente dele. Assim que o moleque levantou, ficaram a procurar quem seria o próximo. Um outro cara recusou, e foi então que Tieza me pegou pela mão e me fez sentar na cadeira.
Mas é claro que eu não recusaria, mesmo sabendo que eu ia dormir de Bauducco. Tieza ficou atrás de mim e começou a massagear minhas costas, minha nuca e meu cabelo. Eu estava esperando as outras meninas virem a minha frente como aconteceu com o outro rapaz, mas acho que elas se intimidaram por eu ser desconhecido e nenhuma veio se oferecer. Logo, todas minhas atenções se concentraram em Tieza, que estava a me enlouquecer com suas carícias. Nunca em minha vida o termo “frio na espinha” foi tão explícito.
Agora, Tieza tirava minha jaqueta e estava a arranhar meu peito enquanto sussurrava em meu ouvido. Ainda bem que nenhuma das outras meninas quis sentar em meu colo. Com os punhos cerrados, eu tremia. Meu instinto animal queria saltar para fora, saltar para cima de Tieza, e eu tinha que controlá-lo, pois não seria algo sábio a se fazer, não naquela situação. Quando falaram: “- Tira a camiseta também!” Ah não! Aí já é demais, já estava no meu limite, não suportaria mais dessa tentação que não se extravasaria. Com certeza, a esta altura do campeonato, Tieza já tinha plena consciência sobre seus poderes sobre mim, e mesmo assim ela os usava sem piedade. Entrei então em dúvida, ou ela estava botando fogo em mim com alguma inesperada intenção, ou simplesmente estava a se divertir as minhas custas, vendo até quando eu manteria minha postura de rockeiro bad boy.
Já estava tarde para uma quarta-feira e as pessoas já começavam a ir embora. Quando vejo, Tieza está a chamar um moto-táxi. Tomei o celular de sua mão e lhe garanti que a levaria para casa. Tive que avisar Catzu sobre o novo itinerário, pois era ele quem estava de carro. Achei que Tieza iria embora quando todos fossem, mas sua pressa era maior. Catzu não queria abandonar a festa e então tive que convencê-lo a deixar seu carro sob minha cautela para levá-la. Era a chance que eu queria, finalmente estar a sós com ela depois de meses na vontade. Mas é sempre chato emprestar o carro de outrem. Depois de muito titubear, pois era um carro velho, cheio de macetes e difícil de dirigir, Catzu autorizou e lá fui eu carnalizar minha platônica paixão.